10 de fev. de 2010

Menstruar ou não menstruar, eis a questão...

Não querer mais menstruar é uma opção da mulher moderna. Depois que eu soube que é tudo mito esse negócio de que não menstruar faz mal para saúde, fui pesquisar melhor o assunto. Esses dias vi na TV um médico falando inclusive que não menstruar é bom para saúde. Previne câncer, endometriose, TPM e etc... Menstruação não combina com civilização, pois antigamente a mulher era feita para procriar. Com minha vó, foi asssim, praticamente um filho por ano, totalizando 16. Pobres mulheres naquela época, hein?

Ok, Dr, eu também não quero mais menstruar por um bom tempo, mas o que devo fazer? Vale emendar o anticoncepcional comum? existe um específico para tal fim? Tinha mil dúvidas. Quando achei esse site, adorei.Esclareceu várias coisas para mim, por isso copiei do portal Pfizer e trouxe aqui para você que também tem interesse no assunto.




Entrevista: Dr. Carlos Alberto Petta
Fonte: Medcenter



"As mulheres da geração atual têm uma vantagem sobre as gerações anteriores: poder escolher se querem menstruar ou não. Algumas mulheres não têm o menor problema com o ciclo menstrual, pelo contrário, sentem-se mais femininas. Já muitas outras mulheres sofrem com o desconforto menstrual. A mulher de hoje, diferente de antigamente, pode tomar essa decisão sobre seu corpo, mas muitas ainda têm algum receio sobre a suspensão da menstruação. Para desmistificar o assunto, conversamos com o médico ginecologista Dr. Carlos Alberto Petta, que gentilmente nos cedeu a entrevista a seguir:


Site - O que é menstruação?


Dr. Petta - A menstruação é o endométrio (camada de glândulas que fica dentro do útero) sendo eliminado.


Site - Por que a mulher menstrua?



Dr. Petta - Porque o endométrio cresce e se forma todo mês para esperar uma possível gravidez que não acontece, o organismo elimina o endométrio ”não usado” para fazer um novo.


Site - Parar de menstruar hoje em dia é uma opção da mulher?



Dr. Petta - É uma opção através do uso de anticoncepcionais hormonais.



Site - Quais são os métodos de suspender a menstruação? Qual é o melhor método?



Dr. Petta - Todos os métodos hormonais podem suspender a menstruação, os mais usados são os que contêm derivado da progesterona. Não existe melhor método, a mulher pode escolher entre as opções que existem no mercado. Nenhum método hormonal é garantia que a mulher não vai menstruar. Ainda o principal efeito colateral de todos eles é sangramento irregular nos primeiros meses de uso.

Site - Quais as vantagens de menstruar? E as de NÃO menstruar?


Dr. Petta - Muitas mulheres gostam de menstruar e se sentem bem com isso. Outras preferem não menstruar para evitar o incomodo, ou para diminuir cólicas por exemplo.



Site - É verdade que suspender a menstruação faz mal?

Dr. Petta - Não, é simplesmente um efeito do método anticoncepcional.


Site - Por que alguns médicos são contra a suspensão da menstruação?


Dr. Petta - A maioria dos médicos é a favor de que a própria mulher decida se quer ou não menstruar e esteja ciente dos benefícios e riscos do uso dos anticoncepcionais hormonais.



Site - É verdade que anticoncepcionais que suspendem a menstruação provocam câncer?


Dr. Petta - Não, os anticoncepcionais que contêm o derivado da progesterona protegem contra câncer do endométrio.

Site - Ao suspender a menstruação a mulher não corre o risco de ter dificuldades para engravidar? E se ela fizer esse "tratamento" durante muito tempo?


Dr. Petta - Os métodos hormonais não prejudicam a fertilidade de forma definitiva, mas podem causar demora um pouco maior no retorno da fertilidade e isto deve ser avisado para quem quer usá-las.



Site - Existe um tempo mínimo ou um tempo máximo que a mulher pode suspender a menstruação?


Dr. Petta - Nem mínimo nem máximo, o uso dos métodos anticoncepcionais deve sempre ser monitorado pelo profissional de saúde para detectar o aparecimento de fatores de risco.


Site - Existe idade mínima e/ou idade máxima? Adolescentes podem suspender sua menstruação?


Dr. Petta - Não é aconselhável que mulheres abaixo dos 16 anos e que estejam menstruando há menos de dois anos.


Site - A mulher pode alternar gravidez com tratamento de suspensão de menstruação? Depois de quanto tempo a partir do parto a mulher pode começar a suspender a menstruação
Dr. Petta - Se a mulher for usar anticoncepcionais contendo apenas derivado da progesterona pode iniciar o uso depois de seis semanas do parto. Se usar métodos que contenham o estrógeno deve iniciar depois de parar a amamentação ou depois de seis meses do parto.



Site - Em que estado de saúde a mulher deve se encontrar para poder suspender a menstruação?

Dr. Petta - Não pode ter contra-indicações ao uso de métodos anticoncepcionais hormonais.

Site - É verdade que a mulher que suspende a menstruação também suspende os sintomas de TPM?
Dr. Petta - Algumas mulheres têm melhora da TPM quando ficam sem menstruar, mas isto não é uma regra.
Site - Suspender a menstruação pode comprometer a saúde da mulher de alguma maneira?


Dr. Petta - Em geral não.

Site - Anticoncepcionais que suspendem a menstruação provocam acne ou algum tipo de irritação dermatológica?

Dr. Petta - Podem provocar oleosidade na pele e acne, apesar de não ser um sintoma comum.



Site - A mulher que suspende a menstruação deve ter acompanhamento médico?


Dr. Petta - Toda mulher que usa anticoncepcional hormonal deve fazer exames periódicos de controle médico.


Site - A mulher que deseja suspender a menstruação pode fazer isso por conta própria?


Dr. Petta - Não, deve ter avaliação prévia de um profissional médico.


Site - A mulher que deseja suspender a menstruação pode fazer isso usando anticoncepcionais comuns? (anticoncepcionais comuns podem ser tomados em dias consecutivos e emendando-se cartelas com o objetivo de suspender a menstruação?

Dr. Petta - Podem, mas em geral se aconselha o uso por três meses, pausa de uma semana e reiniciar por mais três meses.


Site - Se a mulher suspende a menstruação, para onde vai o sangue? É verdade que fica acumulado?


Dr. Petta - O sangue não se acumula, simplesmente o endométrio não se forma.

Site - Mulheres que suspendem a menstruação sofrem alterações corporais (engordam?)

Dr. Petta - Algumas mulheres que usam métodos hormonais queixam-se de peso, o aumento médio é de 1,5-2 kg no primeiro ano de uso de alguns métodos.


Site - A mulher que suspende a menstruação tem uma vida sexual normal? A libido diminui?
Dr. Petta - Algumas mulheres se queixam de diminuição da libido durante o uso de anticoncepcionais hormonais.


Dr. Carlos Alberto Petta, professor livre docente de Ginecologia na FCM UNICAMP, tem um longo currículo profissional e acadêmico. Mestre (1992) e doutor (1996) pela Unicamp, é também Diretor do Centro de Reprodução Humana de Campinas, Fellow no Family Health International, tem 43 trabalhos internacionais publicados em revistas de língua inglesa, é coordenador na Sub-Comissão de Pós-graduação em Tocoginecologia Unicamp e vice-presidente da Comissão Nacional de Anticoncepção – FEBRASGO. Desenvolveu ainda as Linhas de Pesquisa “Epidemiologia e tratamento da endometriose” e “Mecanismo de ação de métodos anticoncepcionais hormonais”.




PS: Vale lembrar mais uma coisa que vi na TV e não está nesse site. Se a mulher podia emendar, porque a indústria farmacêutica não disse isso na bula? Resposta: Porque assim que foi lançado o anticoncepcional elas não estavam acostumadas com a ideia, então para que não ficassem "encucadas" psicologicamente se estariam grávidas ou não todo mês, os remédios as faziam menstruar. Ah se eu soubesse disso antes! kkk

Meu comentário foi publicado na revista Época dessa semana!

Fiquei muito feliz quando vi que publicaram meu comentário onde eu analisei o quadro riscos, benefícios e soluções da matéria "Mulheres & dinheiro", que inclusive eu trouxe aqui no blog há uns dias atrás pra meus leitores refletirem comigo.

Sabe, ficou feliz porque sou fã da revista Época, os colunistas, a qualidade das matérias. Acho que cumpri com meu papel de formadora de opinião (do bem) e se foi publicado é porquê faz sentido. É o feminismo mostrando que veio para crescer ainda mais e mostrando que está do lado da justiça!!! Viva os direitos iguais, vivaaaaa!

Adorei!!! Até tirei uma foto do comentário para colocar aqui:

"sou machista com orgulho" disse o projeto de mulher.

Senti vergonha de trazer aqui essa coluna, mas o jeito foi trazer! Não vou copiar e colar o que li dessa vez porquê as palavras dessa jornalista não são dignas de entrar no meu blog. Então vou trazer só o link para discutirmos. Leiam e em seguida voltem ao meu texto.

http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&pg=1&template=3948.dwt§ion=Blogs&tipo=1&coldir=1&uf=2&local=18&blog=475&post=256288&siteId=1561

Gente, fico tão desapontada em ver a qualidade dos nossos jornalistas... é uma pena ver textos como esses. Vejo tanto colunista competente. Não dá para listar todos, mas vou citar uns bem massa: a Carla Brum e o zIvan Martins da revista Época, a Leila Ferreira da Marie Claire, a Patrycia Travassos que escreve crônicas sobre mulheres divertídissimas e moderninhas... e aquele texto de pedro Bial sobre o novo pai? Perfeito! Bom, são tantas emoções que me delicio quando me deparo com textos como os deles.

Tem tanta gente fera que traz textos reflexivos e que só nos acrescentam, né verdade?Mas o fato é que alguns textos me fazem vomitar... pior que isso, não deu para digerir a ideia.


Não entendo como uma mulher dessa tem uma coluna. Quando é  sobrinha, esposa, amante, ou sei la o que do dono do jornal, até da para entender porquê a gente sabe que tem muito profissional ruim por aí por conta das "peixadas". Ela escreveu um texto egoísta. Sim, pois o parâmetro dela para afirmar "eu sou machista", foi baseado na vida dela.  Um marido provedor de seus devaneios consumistas, empregada... desse jeito é muito cômodo ser machista e não querer importunar o marido pedindo ajuda para brincar com o filhou ou criá-lo.

Sabe, mesmo assim, fico indignada com a opção e afirmação "sou machista". Porque demonstra a total ignorância em relação ao termo. Será que ela sabe o que é machismo? Uma mulher ser machista é acreditar que a mulher é ser inferior, é ser submissa, é se expor à posse do marido, é ser conivente com a discriminação nas empresas, é achar que mulher merece apanhar, é achar natural a traição masculina por o homem ser um ser desprovido de racionalidade.

Esse negócio de abrir a porta do carro, não tem nada a ver, tem homem que gosta e mulher que se sente bem com  isso... eu sinceramente ( e particularmente) não curto essas frescuras. kkkk Gosto de gentilezas, mas frescura não é comigo. Sobre pagar a  conta, eu racharia na boa no primeiro encontro também, mas nao insistiria caso ele fizesse questão pq sei como é complicado para o macho acostumado com a sociedade machista. Nem me importo com essas bobagenzinhas, nem vem ao caso pra mim quem abre a porta ou deixa de abrir, quem liga primeiro ou segundo. Cada caso é um caso, né? Sou super na minha, nao gosto de homem atirado e acho que não sou atirada também. No meu caso eu já liguei primeiro, mas nem por isso me considero "atirada". Digamos que sou mais falante e se percebesse que ele era mais tímido,  tomaria uma atitude. Não existem regras, pode dar certo ligar antes ou esperar, tanto para o homem quanto para mulher.

Meu povo, fico muito admirada com mulheres que dão força ao movimento machista. Porque optar por ficar em casa e não trabalhar eu acho normal. O que não acho normal é estimular e ficar levantando abandeira de que toda mulher deveria ser assim. Isso desfaz toda uma luta para a gente ter o direito de votar de dirigir empresas e etc. Acho um desrespeito e total falta de informação em relação ao movimento feminista que não prega nada além da justiça e igualdade. É questão de direitos humanos e não de querer ser superior. As feministas não metem o pau nas mulheres que ficam em casa... a gente so incentiva as que querem seguir carreira profissional! Sabe, acho fogo ver que ninguém tá nem aí. Minhas amigas já fizeram até cara de reprovação em relação ao meu blog. Sei que não são elas que mudarão o machismo, mas acredito que com as filhas ou netas delas pode ser diferente. Para isso, é preciso menos jornalistas como essazinha escrevendo um texto bizarro desse em pleno século XXI e deixando as cabecinhas alienadas mais alienadas ainda.

Para a jornalista, que só senta a bunda na cadeira e escreve baboseira, é facil dizer que o marido tem direito de ficar pouco com o filho. Mas e para aquelas que não tem empregada, não tem babá, passam o dia suando no fogão, lavando fralda, passando pano, lavando banheiro... ufa, nao da pra dizer tudo, né? é coisa pra caçamba! Os afazeres domésticos tomam muito tempo de uma mulher. Não é moleza! Acho que tem muito marido que deve sofrer menos no escritorio com o ar condicionado ligado. Stress, óbvio que tem. Mas quer stress maior do que deixar queimar as mamadeiras que você foi esterilizar, esqueceu na panela e queimou? Putz, tem tanto detalhezinho quando voce tem um bebê, principalmente novinho em casa.... é maravilhoso, mas é tão trabalhoso! Vida de dona de casa não é fácil! Aí chega uma idiota dessa e diz "eu sou machista e meu marido deve compartilhar menos da educação do meu filho porque ele tem direito de se cansar, eu não... pior é aquela velha frasesinha: "mãe é mãe e pai é pai, né?" Podreee isso, como diria a menina la da novela: Jesus me abana!

Ser machista é ser de acordo com a ideologia machista, mulheres submissas usando burca no Afeganistão, mutilação do clitoris das meninas para elas não sentirem mais prazer... será que essa mulher sabe a complexidade do termo machista para afirmar "sou machista"?

Vamos parar com esse sexismo descabido e preconceituoso. Filho é responsabilidade do casal. A tal jornalistazinha de quinta categoria continuou com seu egoísmo quando além de não pensar nessa mães e domésticas do lar, não citou as mães que trabalham fora. Ela escreveu o texto baseado no seu próprio umbigo, como se desse conselho para todas as mães agirem assim.

Sabe, se eu pudesse dar conselho, mas sem arrogância e sem afirmar que isso é o certo, eu diria para as mulheres trabalharem fora. Sei que muitas não gostam e preferem ficar em casa. Mas acho saudável para o casamento e para o relacionamento com o filho. A criança nessas escolas que têm berçários se socializa mais, tem um acompanhamento profissional, tem tudo que teria em casa com a diferença que ele desde cedo já começa a ver o mundo. Também acredito que a saudadezinha que a gente sente o dia todo quando ta longe é melhor do que escutar o choro cem % do dia até chegar à exaustão e descontar tudo no pai da criança que nao passou o dia escutando. Eu não me imagino só cuidando de criança. Acho que eu ia pirar! Acredito piamente que mulher tem que ter vida própria pós parto. Amo meu filho e pegar ele na escola pra voltarmos a ficar juntos não tem preço. Porém ficar o dia inteiro enfurnada dentro de casa e fazendo só isso da vida,  traria prejuízos à minha saúde. Sou mãe, mas quero malhar, trabalhar, dar um pulo na hora do almoço para comprar aquela lingerie nova pra noite estar sensual pro maridão. Mas gente, essa opinião não é uma imposição, é só meu modo de ver a vida.

 Conheço um casal que são super conscientes que papel de pais faz diferença e nao so de mãe. Hoje eles moram na China, mas quando moravam aqui, os dois trabalhavam em escritórios, e a mãe já deixava seu filho com menos de 6 meses na escolinha. O menino hoje tem 2 anos, é uma criança super feliz. As mulheres as vezes carregam um medo de ser apontada como má ou insensível... tudo bobagem inventada pela sociedade machista. Os dois saiam do trabalho no mesmo horario, pegavam a criança e iam para casa. Nao, querida jornalista medíocre,  o marido nao estava cansado e a tarefa de dar banho, janta e etc também não era so dela. Os papeis eram divididos. O bebê criou vínculos tanto com a mãe quanto com o pai. Hoje eles tem dois filhos, a mãe esta sem trabalhar enquanto o marido se adapta já que eles foram por uma proposta de trabalho para ele.

É óbvio que eu não sou radical de dizer, ahhh ela ja tem q trabalhar ja! Não é assim... podia ser ao contrario, ela podia ir com uma proposta pronta e ele poderia ficar com as crianças enquanto se adaptava e aguardava o momento para começar a trabalhar.  O plano deles é que ela volte a trabalhar. Cada casal pensa de um jeito e eu não jogo pedras nos casais que um dos dois optam por ficar em casa cuidando dos filhos (90%  dos casos ela, né? kkk ah, essa sociedade patriarcal...só longos anos mudarão esse patamar!)

 Não jogo pedra mas não faço apologia ao machismo. Acredito que dá para ser feminista mesmo optando por ficar em casa. Agora se vc tem baba , empregada e o marido rala a bunda p colocar dinheiro em casa, aí realmente ta na hora de rever seus conceitos... porque quem ta sendo egoísta é vc mamãe que quer que seu filho crie vínculos só com você. Sim, é um direito do pai passar direto pro quarto depois de só dar uma acariciada na cabecinha do bebê. É isso que você quer para sua vida e para seu filho? reflita! Ser mãe não é uma profissão, genteeemmm! O ministério da saúde deveria adverter: ser somente mãe e esquecer de ser um ser humano pode ser prejudicial à sua saúde.

Acho que me transformei feminista por não esquecer da minha infância quando minha mãe (ótima pessoa, mas machista na época) convocava as mulheres para lavar pratos e os filhos homens não. Fui uma criança tímida, falava pouco e sempre fui feminista. Houve um tempo que minha mãe achava que eu tinha problemas. Eu estava sempre falando dessa injustiça sobre os sexos. E ela, coitada, mais um produto inpensante da sociedade, chegou a desconfiar até que eu era lésbica por causa do meu comportamento feminista. Os estereotipos naquela época eram ainda mais fortes. Hoje as pessoas inteligentes sabem que é importante desfazer essa ideia de rótulos e generalizações. Agora, aos 35 anos de idade, meu relacionamento com minha mãe melhorou 100%  por eu conversar bastante com ela. Ela mudou muito. Se sou mulher macho, espero ser um macho de caráter, íntegro e  que participa efetivamente em casa e com os filhos. kkkk Independente da minha opção sexual que é gostar de homem, porquê se sou macho, sou gay, espero poder trazer sempre novas formas de reflexão para as pessoas e instigar o questionamento nelas quando se depararem com textos baseados no senso comum como o da jornalistazinha de araque. Como é mesmo o nome da mulherzinha que escrevu na coluna la? ixe, nem vale a pena lembrar.

9 de fev. de 2010

Brasil deve assinar convenção para estimular homens a dividir tarefas domésticas

Trouxe essa notícia quentinha aqui para minhas leitoras feministas. Adorei! Por isso que eu adoro a Nilcea Freire e há alguns meses até fiz comunidade pra ela no orkut.




Brasil deve assinar convenção para estimular homens a dividir tarefas domésticas

A ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Nilcéa Freire, cobrou nesta quinta-feira a ratificação, pelo Brasil, da Convenção 156 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como forma de estimular a maior participação dos homens nas tarefas domésticas, reduzindo a carga para as mulheres.


O documento recomenda que os países criem mecanismos para ajudar os trabalhadores no cuidado com filhos e parentes.

– Estamos de pleno acordo. A convenção já foi ratificada por vários países, e o Brasil está em débito com isso – disse Nilcéa, em entrevista a emissoras de rádio. – As mulheres hoje representam 50% da força de trabalho no Brasil e não podem ser as únicas responsáveis pela manutenção da vida.

Na semana passada, movimentos feministas que participaram do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, cobraram o apoio brasileiro à convenção. Segundo a ministra, o setor empresarial tem resistência a apoiar os termos do documento, que poderia abrir caminho para a concessão de licença-paternidade.

De acordo com a ministra, a convenção está sendo discutida por uma comissão formada por representantes da SPM, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e depende da aprovação do Congresso Nacional.

Na entrevista, Nilcéa reiterou a importância de o Parlamento aprovar também a medida provisória que amplia de quatro para seis meses a licença-maternidade para as contribuintes da Previdência Social, assim como o projeto de lei que trata da igualdade de tratamento para homens e mulheres no mercado de trabalho.

Por Elza Fiuza, Agencia Brasil


Na minha opinião, os homens se acham no direito de acharem que a mulher nao é boa esposa se tb nao for boa dona de casa... eles nao acham q é papel deles ajudar... mesmo os casais q tem empregada, se é folga da empregada quem vai pra pia no fim de semana é a mulher... Tem muita mulher que fica direto em casa limpando tudo e enqto tá la suando na pia, o marido ta na praia bebendo com os amigos... ou enqto ele assiste TV tá la a mulher dando banho nas crianças, fazendo mamadeira, trocando fralda, limpando as privadas... se as mulheres nao fazem isso, eles reclamam ainda hj... dizem q a mulher nao é boa esposa. As referencia deles sao as mães... essa questão da colaboração e divisao de tarefas tem q ser mto mais disseminada. As pessoas tem q dissociar a ideia de q isso é papel da mulher... a realidade é q ainda sao puquissimos casais q dividem tudo em casa, mesmo os jovens.

6 de fev. de 2010

Dependentes químicos

Essa noite eu não dormi direito. Rolei de um lado pro outro sentindo falta dele. Homens, mulheres, gays. Todo mundo está sujeito.Conviver com a abstinência não é fácil.

Resolvi mudar minha vida. Sempre tive hábitos saudáveis: se não estava em academia, ia andar, nadar. Muita salada. Açúcar mascavo substituído por açúcar comum. Refrigerante, nunca. Mas para quê tudo isso se existia uma dependência complicava minha vida? Era mas forte que eu! Esses dias tentei compensar. Arrumei meu guarda roupa, gavetas, fiz bastante alongamento, trabalhei respiração, malhei mais que o usual. Arrumei coisas para fazer o tempo inteiro. Trabalhei feito uma louca. Foi uma semana difícil. Não é fácil se livrar do vício.  Estou há uma semana sem tocar nele. Sinto-me uma vitoriosa. Hoje eu estou curada. Se você sofre do mesmo problema que eu, participe dessa luta.

Leite condensado, nem pensar!


3 de fev. de 2010

Mulheres e dinheiro (revista Época)

Trouxe aqui a matéria capa da última Época. Muito interessante. Até grifei o que achei de mais real dentro do texto. No final do texto tem comentário meu. REFLITAM!




Elas chegaram lá com alguma violência, por um caminho nada cor-de-rosa. As mulheres começaram a escalar os degraus do poder no mundo ocidental ainda no século XIX, em campanhas pelo direito ao voto que chocavam seus contemporâneos. Precisaram de duas guerras mundiais para que o século XX reconhecesse o valor de sua força de trabalho. Continuaram a escalada com o feminismo estridente dos anos 60 e uma dedicação inabalável aos estudos. Havia homens barrando o caminho, mas elas começaram a atingir o topo das carreiras na política e nas empresas. Pelo caminho, deixaram um mundo transformado. Há mais educação. Mais produtividade. Menos filhos por casal, mais bem cuidados. Não houve mudança social maior nos últimos 100 anos – e ela mal começou. Agora, um número crescente de mulheres pode ou precisa decidir por si só o próprio futuro financeiro, e delas dependem mais e mais famílias e empresas. A mudança seria notável de qualquer forma, pelo rearranjo de poder, mas ela traz um componente mais instigante: e se as mulheres usarem o dinheiro de um jeito diferente do que se considerou “normal”, enquanto os homens detiveram todo o poder econômico? Surpresa: é isso que elas fazem. Economistas, sociólogos e psicólogos vêm tentando há anos entender melhor nossas decisões e escolhas a respeito de dinheiro. No processo, surge uma montanha de evidências de que emoções e impulsos primários desempenham um papel muito maior do que esperávamos em nossos atos relacionados a ganhar, gastar e investir. Isso revela que existem um modo mais masculino e um mais feminino de lidar com o tema. O jeito feminino traz benefícios para a sociedade, mas ele passará por dores do parto antes de se tornar dominante. “Além de as mulheres, neste momento, ainda terem menos educação financeira, elas mostram emoções mais facilmente – pode ser tanto o medo de fazer uma dívida quanto o encantamento por um objeto de consumo”, afirma a economista Roberta Muramatsu, professora da Universidade Mackenzie e Ph.D. em finanças comportamentais.


As diferenças ganharam também a atenção de Suze Orman, a mais famosa guru de finanças pessoais dos Estados Unidos. Seu livro As mulheres e o dinheiro foi lançado em dezembro no Brasil. Ela conta que sempre pensou em orientação financeira indistinta para homens e mulheres, até que não pôde mais ignorar as necessidades específicas que via em suas amigas e conhecidas. Sem precisar se preocupar com o rigor científico dos pesquisadores, Suze dispara: está cansada de ver mulheres “inteligentes, competentes e realizadas” convivendo com um permanente caos financeiro. “Seu instinto maternal reina absoluto; você faz tudo para todos antes de fazer para si mesma”, afirma, num recado às leitoras do livro.

O espírito desse tempo, de escancarar as diferenças, encontra boas definições em dois trocadilhos em inglês. Um deles é “womenomics”, ou economia das mulheres, termo criado pelas jornalistas americanas Katty Kay e Claire Shipman no livro de mesmo nome. Elas defendem uma nova investida feminina contra os abalados alicerces do mercado de trabalho, a fim de mudá-lo de vez. Conseguir jornadas mais flexíveis e incentivar o trabalho a distância estariam entre as prioridades. O outro termo que ganhou popularidade foi “mancession”, a recessão do homem. A palavra lembra que a crise global teria sido provocada pelo excesso de agressividade, ousadia e testosterona nos grandes bancos. O resultado dessa crise provocada por homens foi especialmente devastador para os homens. Nos Estados Unidos, a diferença no nível de desemprego entre os sexos, a favor delas, chegou ao maior nível em 60 anos. Embora o Brasil não tenha sofrido tanto com desemprego, tem sua versão da “mancession”: a maior parte dos cortes de postos de trabalho por aqui ocorre entre homens, que são os trabalhadores com menor grau de instrução. A maior parte dos postos de trabalho criados vai para as mulheres, que são maioria entre os que têm nível superior.

A fim de entender melhor o suposto jeito das mulheres de lidar com dinheiro, ÉPOCA consultou os livros e as pesquisas mais recentes a respeito do tema e pediu um estudo à recém-criada Sophia Mind, empresa especializada em comportamento e tendências no universo feminino. A pesquisa foi feita no segundo semestre de 2009 com mais de 2 mil mulheres com acesso à internet banda larga nas seis maiores capitais brasileiras. Seu resultado está apresentado nestas páginas. Ele faz constatações importantes: a realização de investimentos por parte das mulheres cresce principalmente com o nível de educação, e não tanto com o nível de renda; elas dividem as responsabilidades financeiras domésticas de maneira bem igualitária com os companheiros (ou, pelo menos, afirmam dividir); aplicam dinheiro de maneira errática, sem rotina definida (com as fluminenses mostrando mais disciplina que as paulistas); demoram demais para começar a pensar em aposentadoria e organizar um bom plano com esse objetivo; e gastam mais em moda do que com saídas.

A partir do estudo, Andiara Peterle, executiva-chefe da Sophia Mind, chama a atenção para o que considera comportamentos financeiros a corrigir. Em parte, essas atitudes ruins se parecem com as encontradas no universo masculino brasileiro. “Elas tendem a se preocupar mais que o necessário com possuir um imóvel e menos que o desejável com planejamento de aposentadoria”, diz Andiara. Outras atitudes preocupantes parecem bem específicas das mulheres. “Elas investem pouco, e isso melhora menos do que esperávamos com o avanço da idade e da renda. Entre aquelas de 40 anos, muitas ainda contam muito com a presença e a ajuda futura de marido e filhos.” Esse tipo de avaliação tem importância crescente devido à ascensão da importância econômica feminina, parte mais evidente dessa história.



Mulheres representam 41% da força de trabalho no Brasil. Nos Estados Unidos, acabam de se tornar mais da metade. Nos dois países, a participação delas cresce, e com velocidade ainda maior entre os postos de trabalho que exigem nível superior. Por aqui, elas chefiam 35% dos lares, respondem por 46% das transações com cartões de crédito e estão à frente de 52% das pequenas e microempresas, informa Sueli Daffre, sócia-diretora da empresa de pesquisa SD&W.



Todos esses indicadores continuam subindo, e a mudança poderá se acelerar no futuro, se depender do empenho delas em melhorar a própria formação. No Brasil, há muito mais mulheres que terminaram a universidade (3,6 milhões, em relação aos 2,5 milhões de homens). Na faixa dos adultos até 32 anos, elas já investem 50% a mais que os homens em educação, segundo a empresa de pesquisas Bridge. “E elas dizem que vão aumentar esse investimento, no futuro, em escala maior do que a planejada pelos homens da mesma idade”, diz Renato Trindade, diretor da Bridge. O mercado financeiro apelidou o fenômeno global de “O poder da bolsa” (Power of the purse), por causa do título de um relatório publicado em agosto de 2009 pelo banco americano Goldman Sachs. O estudo afirmava que o “poder da bolsa” seria especialmente sentido em China, Rússia, Vietnã, México, Coreia do Sul e Brasil, que combinam fortalecimento da mulher com crescimento da classe média.



A segunda parte da história é compreender as tais diferenças, que vão determinar como elas usarão esse poder recém-adquirido. Confira algumas delas – sempre lembrando que se tratam de generalizações, limitadas por natureza:


- Conservadorismo: as mulheres mostram maior aversão ao risco. Isso as torna menos inclinadas que os homens a confiar em suas habilidades e fazer grandes apostas;


- Expectativa de relações duradouras: elas tendem a organizar a vida financeira como se o parceiro fosse estar a seu lado para sempre;



- Prioridades flexíveis: mulheres empregam o melhor de seus esforços no bem- -estar dos outros, incluindo filhos, companheiro, pais idosos e subordinados;



- Equilíbrio: elas mostram interesses mais diversificados, divididos entre carreira, família e projetos pessoais;



- Apego aos detalhes: as mulheres facilmente assumem as pequenas contas domésticas e se afastam das grandes decisões financeiras familiares;



- Tendência gregária: elas gostam mais que os homens de atuar e tomar decisões em grupo;



- Consistência temporal: mulheres tendem a se apegar mais a suas estratégias financeiras ao longo do tempo.



Como em outros aspectos da vida – relacionamentos amorosos, por exemplo –, o jeito feminino de fazer as coisas pode trazer vantagens e desvantagens para elas.

(Infelizmente, mesmo com todo avanço as pesquisas ainda indicam muitos pontos para sua real inserção no universo dos negócios e na igualdade cultural. Achei legal a revista trazer benefícios, riscos e soluções. Vou copiar aqui os que achei mais interessantes).

Elas são mais avessas ao risco. BENEFÍCIOS: Elas arriscam menos, o que resguarda o patrimônio familiar para fins nobres como educação Arriscar pouco demais significa abrir mão de lucros possíveis no longo prazo em investimentos como ações
SOLUÇÃO:Aventurar-se, sem deixar de ser moderadas. Na Bolsa, mulheres costumam obter lucro médio maior que homens

Elas contam com casamento duradouro Planos de longo prazo beneficiam a família.
BENEFÍCIOS:Pessoas casadas tendem a acumular mais riqueza que as solteiras Cresce o número de divórcios e mulheres vivem mais que homens. Elas precisam saber cuidar do dinheiro sozinhas
SOLUÇÃO: casal deve compartilhar decisões e conhecimento, além de manter metas financeiras individuais.


Elas dão prioridade à família. BENEFÍCIOS:Uma mãe que acompanhe o crescimento e o desempenho escolar dos filhos vai prepará-los melhor Laços de dependência: mulheres tendem a se colocar em risco financeiro para ajudar filhos já adultos. SOLUÇÃO: Educação financeira desde cedo é um belo legado aos filhos. estabeleça limites claros e prévios para a ajuda

É claro que eu deixei comentário no blog da revista nesa matéria. Vejam o que eu disse:

Perfeita a materia, porém ali no quadro de riscos, beneficios e soluções, quando falam no benefício "uma mãe que acompanha os filhos na escola vai prepara-los melhor", eu mudaria a solução de apenas educação financeira para um maior compartilhamento do pai na vida do filho. Acompanhando-o na escola e desfazendo essa ideia de que as mães são as responsáveis maiores por seus filhos. Independente do casal estar ou não junto, não basta as mães mudarem nisso e preparar seus filhos para uma vida finaceira melhor. A solução é o pai mudar também.

Acredito que a mulher só terá sua verdadeira ascenção quando além de seguir os conselhos das soluções sugeridas pela Época, elas se desvincilharem de velhos conceitos culturais que carregam nas costas. O feminismo não quer que sejamos uma " mulher maravilha", trabalhar fora, cuidar dos filhos. O que precisamos é de pais mais presentes e que possamos dividir todas essas responsabilidades de forma mais equilibrada sem aquele conceito de "mãe é mãe, né?"

1 de fev. de 2010

"O último tango em Paris" por Ivan Martins


"Vi no domingo, pela terceira ou quarta vez, O Último Tango em Paris, filme de Bernardo Bertolucci que ficou famoso no início dos anos 70 pelas cenas de sexo entre Marlon Brando e Maria Schneider.


Todo mundo já ouviu falar do momento em que o personagem de Brando lubrifica a amante com manteiga e a força a fazer sexo anal no chão do apartamento. Tornou-se um clássico do cinema.

Maria Schneider contou mais tarde que a cena não estava no roteiro original, que foi uma ideia de última hora de Brando – não de Bertolucci – e que ele a convenceu a participar da encenação alegando que “era apenas um filme”.

Ela tinha 20 anos, fazia seu primeiro trabalho no cinema e sua imagem nunca mais deixou de estar associada à cena da manteiga.

Para Brando, que já era um astro aos 48 anos, o custo do escândalo foi zero. Apenas confirmou sua fama de rebelde.

Para Schneider o custo foi alto. Antes que a década de 1970 terminasse, ela seria internada em clínicas psiquiátricas, teria problemas com drogas e tentaria se matar. Era famosa, parecia ter talento, mas sua carreira artística não avançou.

É possível ler essa história de várias formas, mas uma delas é simples: diante da mesma ousadia, homens e mulheres são julgados de formas totalmente diferentes. As mulheres, com mais severidade.

Feito esse comentário lateral, eu gostaria de falar do próprio filme. O Último Tango é talvez um dos filmes mais masculinos que já foram feitos. Seu personagem principal é um herói romântico às antigas: solitário, viril, autodestrutivo e furiosamente independente.

Mesmo perdido, mesmo destroçado pelo suicídio de sua mulher, ele ainda é capaz de seduzir a jovem de quem se aproxima – e a quem oferece pouco mais do que a sua força, seu sarcasmo e o seu desespero na forma de desejo.

É improvável que nos tempos atuais qualquer cineasta tivesse coragem de colocar na tela um homem tão confiante em si mesmo, um sujeito tão ostensivamente desdenhoso da boa conduta, um macho agressivo e misógino capaz de generalizar sobre as mulheres: “Elas fingem saber quem eu sou e querem que eu finja que não sei quem elas são”. Ninguém mais diz essas coisas no cinema, exceto os sociopatas.

Mas Paul não é o bandido do filme, ele é o herói. Um ex-revolucionário, ex-lutador de boxe, ex-músico, ao final rufião e vagabundo para quem a jovem amante é apenas um objeto de poder, uma gostosinha infantilizada sobre a qual pode exercer sem limites sua dor e sua raiva.


Ao mesmo tempo, paradoxalmente, é o homem sensível que chora em silêncio, o viúvo que conversa placidamente com o amante da mulher morta, o violador que exige que a sua vítima também o viole, com os dedos.

O Paul criado por Marlon Brando (ou melhor, extraído dele a fórceps por um Bertolucci manipulativo e cruel, segundo contam) é um homem complexo, mas inteiro. Ele conhece o seu papel no mundo. Ele exige o seu lugar aos berros, ele procura o seu desejo na marra, certo ou errado, até o triste fim. É um macho às antigas.

Seu contraponto é o jovem namorado da heroína, Tom, traído durante todo o filme: um rapaz feliz, impetuoso, cheio de sonhos artísticos. Ele não enxerga a complexidade da mulher que tem ao lado, não percebe as suas profundidades e as suas sombras, suas inconfessáveis necessidades. Percebe apenas um personagem que ela representa, enquanto Paul descobre nela outra mulher. Tom representa o homem moderno, burguês e convencional, na sua visão idealizada e respeitosa das mulheres.

Ao final, esse homem domesticado e doce prevalece. O macho antigo – embora sedutor, embora majestoso na sua integridade – é incapaz de viver na normalidade contemporânea. Ele não cabe fora da alcova. É autodestrutivo e perigoso. É um marginal. A violência dele, que de início incendeia a paixão, ao final assusta a jovem amante de maneira mortal.

Será que Bertolucci nos dizia, já em 1972, que não havia mais lugar no mundo para esse tipo de macho não domesticado?

Eu não sei. Sei que O Último Tango em Paris é um filme perturbador. A primeira vez que o vi eu tinha 13 anos e só percebi a nudez cheia de pelos de Scheneider e a intensidade das cenas de sexo. O resto do filme era virtualmente incompreensível. E irrelevante.

Hoje, passados quase 40 anos, o sexo do filme nem ensina e nem escandaliza. O que me comove é ver Brando interpretando um homem sem amarras, um tipo visceral dançando cheio de empáfia e melancolia à beira de um abismo.

Acho que há um pouco desse homem em cada um de nós. E que há também um pouco de nostalgia dele. Modernos, civilizados, racionais que somos, uma parte de nós reclama o direito de ser a besta poderosa que não teme as mulheres e nem se preocupa com as mulheres. Embora, contraditoriamente, sofra e morra por elas."


Ivan Martins é editor executivo da revista Época.

História de amor no Haiti. Por Eliane Brum

Trouxe esse texto escrito por Eliane Brum, colunista da revista Época. Só uma repórter de muita sensibilidade e inteligência escreve. Confesso que fico triste em saber que tem gente que se sensibiliza em dia de paredão do BBB quando o participante encontra a família. Tem gente que chora. E eu também fico com vontade de chorar, mas de desânimo de ver tanta futilidade nos sentimentos. Como falei no post que escrevi sobre fama e afins, não sou daquelas pseudos-intelectuais que não assistem BBB e que acha tudo que é cultura insuper inútil demais. Seria radicalismo e hipocrisia dizer que nao dou uma espiadinha quando Bial me instiga a continuar ali na TV. Mas o que acho realmente indigno é uma pessoa não se sensibilizar com tragédias como a do Haiti. E, mais que isso, nem precisa ser a tragédia da vez. Não se sensibilizar com os pais que espancam filhos, com pedófilos e outros humanos podres. Não sou a favor do chororô e depressão porque o mundo é uma droga. Mas por favor, vamos criar nossos filhos ensinando os verdadeiros valores e o que realmente pode nos sensibilizar, afinal o futuro do mundo pertence as próximas gerações. Quem sabe construiremos um mundo melhor, eu ainda tenho esperança. Que tal mostrar pro seu filho (a) rebelde "pré-aborrecente" que reclama de tudo,  esse texto?



História de amor no Haiti

"Seis dias depois do terremoto, Roger continuava diante das ruínas do prédio onde estava sua mulher, Jeanette, em Porto Príncipe. Não é possível alcançar, só podemos tentar vestir a pele do homem diante do monte de pedras. Debaixo delas, está a mulher que ama. Para todos, morta. Para ele, viva. Roger grita o nome de Jeanette. Diante de tantas dezenas de milhares de mortes, seu drama era apenas mais um. Mas não existe mais um. Existe o mundo inteiro em cada um. A vida só faz sentido se o homem com os olhos vermelhos fixos nas pedras for ele e todos nós.
De repente, alguém ouve um barulho. Uma voz entre os escombros. “Ela está viva!”, grita Roger. Agora, há um pequeno buraco. O repórter da TV americana enfia por ele um microfone para falar com Jeanette. Ela não come há seis dias, não bebe água há seis dias, não se move há seis dias. Enterrada viva, há seis dias Jeanette respira com dificuldade na escuridão. Tem os dedos da mão quebrados, sente dor. Jeanette tem algo a dizer. O que ela diz? Ela manda um recado para Roger: “Eu te amo muito. Nunca se esqueça disso!”.

Roger pega o que parece ser um pedaço de ferro da estrutura do prédio e começa a cavar.

Fiquei tentando abarcar o que é cavar pedras com um pedaço de ferro, com as mãos, para retirar dali um amor. Acho que não cheguei nem perto.

O que faz meu coração falhar uma batida, para além da tragédia, é o que Jeanette escolhe dizer a um minuto da morte. O que importa a ela registrar depois de seis dias soterrada, 144 horas, 8.640 minutos, cada um deles eterno. Tudo o que importa para Jeanette, que não sabe se vai sobreviver, é afirmar seu amor ao homem que ama. Diante da morte, esta era a frase de uma vida.

Este pequeno drama, um entre dezenas de milhares, explica por que, contra todas as catástrofes, a escravidão e os sucessivos abusos cometidos pelas potências de cada época, a exploração e a violência, as bolachas de lama, as tantas misérias, a falta de tudo, o Haiti vai sobreviver. Mesmo sem quase nada, Jeanette e seu povo ainda tem o que perder.
O que você diria se fosse Jeanette?

A história de Roger e Jeanette nos remete ao que dá sentido à vida. Ao que realmente importa para cada um de nós. Soterrada pelas ruínas do seu país, a haitiana Jeanette ensina o mundo inteiro. Não porque quer nos dar alguma lição, mas porque Jeanette é. Inteira, ainda que aos pedaços em meio aos cacos simbólicos e reais de um povo, de uma nação.

Como repórter, já escutei sobreviventes das mais diversas tragédias, ou apenas diante da catástrofe inescapável que é o fim da nossa história quando a vida chega ao fim. Ninguém sente saudades do momento em que teve seus 15 minutos de fama ou brilhou em algum palco ou ganhou um aumento de salário ou foi chefe de alguma coisa ou botou um peito turbinado ou emagreceu seis quilos ou comprou uma casa ou um carro zero ou uma TV de tela plana. Diante do momento-limite, somos levados não aos grandes bens ou aos grandes planos, mas aos detalhes cotidianos que em geral passam despercebidos, quase esquecidos em nossa pressa rumo às grandes aspirações. O que nos falta é aquilo que nos preenche a cada dia sem que nos demos conta. Aquilo para o qual, em geral, não temos tempo.

Será que é preciso quase morrer para lembrar de viver?

Nem sempre há uma segunda chance. Sem saber se teria uma, Jeanette nos lembra, com seu recado muito particular, daquilo que é universal. Seja você uma moradora do país mais pobre das Américas nos escombros de um terremoto, seja você um bombeiro de Los Angeles, como aqueles que tentavam resgatá-la, seja você uma brasileira que escreve sobre ela, como eu, ou um brasileiro que lê este texto, como você. Jeanette nos lembra que o que nos iguala em nossa condição humana é o que, de fato, faz diferença. Pelo buraco, ela nos lembra que a vida é sempre urgente. A vida é para hoje, a vida é para já.

Depois de três horas, Jeanette foi arrancada dos escombros. Viva. Saiu de lá cantando uma música cuja letra dizia: “não tenha medo da morte”. Assim que emerge das ruínas, logo depois de receber os primeiros-socorros, Jeanette entra no carro de Roger e parte. Bem empoeirada, sem nenhum drama. Como se tivesse resvalado na calçada e machucado a mão num dia qualquer. E o marido lhe desse uma carona para casa. Como boa sobrevivente, Jeanette reinventa a normalidade.

De novo, Jeanette tem algo a nos ensinar. Ela sacode a poeira e parte rumo ao cotidiano porque a vida tem de continuar, a vida deve se impor. É possível seguir quando, mesmo nos sentindo aos pedaços, sabemos o que é essencial, o que realmente importa, o que faz nosso coração bater mais rápido. No caso de Jeanette, o seu amor por Roger. E, mesmo se Roger faltasse, acredito que Jeanette ainda assim deixaria as pedras para trás e partiria rumo a muitos recomeços, porque só ama o outro com esta inteireza quem ama muito a vida que é.

Jeanette nos ensina que mais triste que a morte é uma vida desperdiçada com aquilo que não importa."

Carla Brum é repórter da revista Época

Parto natural, e, em casa? Tomara que essa moda pegue!



Uma prima minha optou pelo parto humanizado e deixou muita gente escandalizada. "Ohhh! Parto em casa? isso é coisa de doido! Em tempos de hospitais? porquê isso, pra quê isso?" Patrícia Arouca, dentista, pessoa informada e determinada, preferiu contar so depois de ter sua filha na casa do seu irmão, pois sabia que seria alvo de críticas e preconceito. Acompanhada pelo marido, cunhada e as parteiras preparadas, deu a luz à Nina. Uma linda menina que hoje tem 4 meses. O que  Patrícia e a top Gisele Bundchen tem em comum? as duas tiveram seus filhos em casa.

O parto humanizado é uma alternativa saudável quando a gravidez é assistida e tem indicação para tal, ou seja é uma gestação de baixo risco. Não é uma atitude enlouquecida e hiponga como muita gente pensa.  É um ato de amor e que tem inúmeras vantagens, dentre elas a interação mamãe e bebê imediata.

Isso não significa que o parto cesárea ou com intervenção médica não possa ser humanizado. O parto cesárea existe para salvar vidas, mas não deveria ser a grande maioria dos partos como acontece hoje e sim como em último caso. O problema é a consciência das mulheres em relação a isso. Com medo da dor, elas optam pela cesárea.

 Eu particularmente acho que a mulher que tem tudo para ter um parto natural e faz uma cesárea tem uma atitude covarde. Sim, me desculpe se você que está lendo agora se doeu e acha que eu estou julgando. Mas não tem como não julgar. Sinto muita pena do sexo feminino interferir e enfraquecer diante de um ato que faz parte da nossa natureza. Se algumas têm medo de ter um parto normal, ressalto novamente, com tudo ok para tê-lo, imagina a capacidade dessas mulheres de enfrentar a vida.

Me surpreendi com Bundchen. Ela sempre foi simpática, mas tinha aquele jeito meio "crianção". Quando vi a chamada no Fantástico dei nota mil e vi que ela faz jus ao título "mulherão. Comemorei, deixei recado no orkut da minha prima que também comemorou. "O movimento pelo parto humanizado está em festa por causa da entrevista dela", foi a resposta que recebi  no orkut. Até me arrepiei porquê eu sou uma grande defensora do parto normal, sempre quis ter filhos assim. Me identifiquei muito quando a Gisele falou: "eu queria sentir tudo e foquei o tempo todo nele que estava saindo."

 Eu também gostaria de ter sentido e de não ter a cicatriz que tenho hoje. É pequena e discreta. Mas não gosto dela.

 Meu filho nasceu de um parto cesárea, vítima da minha ignorância há 11 anos quando a médica me informou que teria que ser cesárea por ele estar "laçado". Na hora eu fiz o que ela mandou. Depois senti muita dor, MUITA! Eu nao conseguia colocar minhas pernas sozinha na cama. Eu sentia coceira por todo corpo. Eu passei muito tempo com aquele corte formigando, meses. Senti enjoo. Tive gases em excesso que me constragiam e me faziam sentir uma sensação de inchaço como se eu fosse um balão gigante. Ui, que triste! Fazer curativo no corte para mim era momento doloroso. Tomava injeção anti-inflamatória mesmo depois de 20 dias. Sentia fisgadas dentro de mim que me deixavam louca de dor. Odiava fazer o curativo. Até hj sinto agonia pra depilar em cima do corte. Nao conseguia me abaixar e calçar meu sapato sozinha por semanas. Eu andava devagar. Bundchen estava felicissima, se abaixava normalmente e fazia panqueca um dia depois de ter seu filho.

Segundo meu tio que também é obstetra, não ter filho por ele estar laçado é uma boa desculpa para os médicos que não tem tempo para fazer um parto normal. É muito comum o bebê se laçar no cordão e isso não interfere na maioria dos casos. Pesquisei depois melhor sobre minha médica e soube que no currículo dela não constava partos normais. Ela era conhecida na cidade e tinha dia que ela fazia mais de 3 partos por dia. Era cômodo e mais lucrativo partos cesareanos.

Fica aqui o meu registro como mulher que teve um parto cesárea e que tinha tudo para ter um parto normal. Eu fui pra maternidade com 6 cm de dilatação, meu filho estava completamente encaixado e chegou a nascer com um "v" na testa da marca do encaixe.


Depois engravidei em seguida, e para mulheres com parto cesárea há pouco tempo, não há indicação para parto normal, por ser recente há risco de ruptura. Por isso, nao pude novamente. Hoje, meu filho mais novo está com 9 anos e já planejo com meu namorado um filho mais pra frente. Não tenho mais indicação para parto humanizado por já ter tido cesárea, mas a notícia boa é que se tudo correr bem agora, com esse intervalo grande, tempo suficiente para o útero estar "zero bala", posso ter um parto normal.
Então quem sabe mais pra frente, volto aqui no meu blog dirigido ao universo mulherio, para contar como foi?

Quanto à Giseli, nota mil patra ela. Tomara que pessoas famosas continuem trazendo contribuições sociais para divulgar assuntos relevantes como esse. A top mostrou que está na moda ser informada e não ter preconceito. Fora que ela ja voltou a trabalhar com o filho com 6 semanas e mostrou que quem quer mesmo e tem ajuda da família, ou assistentes, consegue ser mãe e continuar trabalhando. Esse negócio de "ah, não da para ser mãe e trabalhar" é outro papo furado.

 Agora quando alguém optar pelo parto normal e humanizado, beeem menos gente irá dizer "ohhh!, porquê???"

Bjos!!!
Liah

30 de jan. de 2010

"Podem me chamar de machista..." como assim, Bial?



Bial, querido, não achei você machista, viu? Lia, minha querida se você dança se esfregando porquê ele não pode dançar também? Direitos iguais!

você sabe quem foi Carmen da Silva?

Esses dias vi no vídeo show que o ator José Mayer tá provocando polêmica com seu personagem atual na novela "Viver a vida". Para os modernos e feministas, chega a ser até engraçado como ele é retrógrado e tem pensamento do tempo da vovó. Mas o problema é que ainda hoje tem uns "Marcos" espalhados por aí. E olha, tenho cunhado "Marcos", primos e até primas e nem tem desculpa de dizer que são mais velhos e por isso são de outra geração... são tudo abaixo dos 40. Desculpa pra bo dormir, esse negócio de outra época.   Ou seja´, só dentro da minha família já encontro vários "Marcos". Aqui no Sul não é diferente do Nordeste ou outra região. No Brasil todo tá impestado de "Marcos".

Inspirada nisso trouxe esse texto magnífico falando sobre Carmen da Silva (de outra geração e nordestina, região onde a crença popular acredita que têm o maior número de machistas). Vale a pena ler!


Carmen da Silva, em 1976: revolução na imprensa feminina com A Arte de Ser Mulher


Carmen da Silva foi uma revolucionária que sabia negociar. Recuar nunca, diz ela no livro de memórias Histórias Híbridas de uma Senhora de Respeito: quando se dirigia às leitoras da revista Claudia, "malhava em ferro quente", sem fazer concessões, mas devagar, "evitando termos que podiam chocar e criar anticorpos". Levou oito anos para escrever a palavra-bicho-papão "feminismo", o que não a impediu de ser feminista e explosiva desde sua estreia.

Ao analisar os textos da coluna A Arte de Ser Mulher, de 1963 a 1985, a jornalista cearense e doutora em História Ana Rita Fonteles Duarte, autora do livro Carmen da Silva, o feminismo na Imprensa Brasileira, fruto de sua dissertação de mestrado, observou três fases distintas: no início, a colunista parecia cautelosa, mas já contundente, convocando as mulheres a serem protagonistas de suas vidas e a buscarem a independência financeira. Depois de conquistar a confiança do público, passou a se dedicar a temas como sexo, traição e a dupla moral para homens e mulheres - defendeu o divórcio já em 1967, uma década antes da aprovação da lei no Brasil. Em um terceiro momento, a partir de meados dos 1970, quando tomava corpo o movimento de mulheres que ela apadrinhava, finalmente escreveu: "Sou feminista, sim. E daí?".

Os trechos a seguir, extraídos da coletânea A Arte de Ser Mulher, lançada em 1967, e do livro de memórias, de 1984, mostram que alguns dos questionamentos de Carmen seguem atuais. Como ela sabia, mudanças levam tempo.

AUTONOMIA
"(...) certos homens jamais aceitariam uma mulher independente. Como outros tampouco aceitam a mulher livre de compromissos (todos conhecemos algum exemplo dessa obsessão pela mulher alheia), a honesta, a inteligente, a refinada, a culta. Os seres de segunda categoria - seja moral, intelectual ou ambas - procuram a forma de seu sapato, o que é muito lógico; mas eles não constituem a norma e de nenhum modo é justo tomá-los como padrão."

SEXO E PRAZER
"A vaidade masculina inventou que mulher, quando diz não, quer dizer sim."


"Digam o que disserem os pais severos e inibidos, que costumam falar em mal necessário, em tributo à nossa natureza animal ou, criando falsas conotações religiosas, em sacramentos; digam o que disserem os mitos sociais detratores da vida normal e sadia (em realidade, resquícios de primitivos tabus) o sexo é profundamente satisfatório e é tão pecaminoso como um banho de mar num dia de quarenta graus à sombra."

ONIPOTÊNCIA FEMININA

"Tentei explicar-lhe (a um editor da revista Claudia que queria que ela escrevesse sobre o que uma mulher deveria fazer para seduzir seu marido quando ele não "a abraçava mais") o caráter machista dessa noção de onipotência feminina: "se seu marido não quer trepar mais é porque você não sabe fazê-lo querer": ser onipotente é arcar com todas as responsabilidades, todas as culpas. (...) Não é de surpreender que ele não compreendesse: muita gente até hoje não compreendeu."


DUPLA MORAL
Na maioria dos lares vigoram dois códigos: um para as meninas, outro para os rapazes. Há pais que olham com indulgentes e até cúmplices as moroteiras sexuais dos filhos homens, sendo severíssimos com as meninas. Como explicar a estas que a moral muda de um sexo para o outro?

Estão distorcendo o feminismo!


"Decotes, tomara-que-caia, minissaias cada vez mais curtas, roupas coladíssimas e até semitransparentes têm se tornado a vestimenta de mulheres e jovens na sociedade contemporânea atual. Comumente deparamos com mulheres e jovens semidespidas, sejam nos ônibus, nos centros, nas universidades, nas igrejas, nas praças e em todos o lugares.Fruto de um pensamento feminista (annn? como assim, Bial??), as mulheres encontraram nos dias atuais uma falsa liberdade sexual. Elas se julgam no direito de expor o seu corpo pela moda..."

Não identifiquei o autor desta pérola. Mas dei muita risada.

Pasmem, queridas leitoras, feministas. Fiquei boquiaberta com os comentários sobre feminismo internet afora. Esse é só mais um dos que eu acho por aí. O orkut tá cheio e comunidade contra o feminismo, pro machismo e pensamentos nada pertinentes à filosofia feminista. São a maior prova de que o feminismo na crença popular está completamente distorcido.

Gostaria de ter entre minhas leitoras adolescentes também. Porquê me preocupo com a educação das meninas que estão começando a enxergar o mundo e leem uma barbaridade dessas e logo pensam "ui ser feminista é uó".

Esclarecendo: Fruto de um pensamento feminista é querer igualdade nas questões políticas, no direito de ser solteira sem ser cobrada pela sociedade, no direito de transar sem ser taxada, mas com responsabilidade. Faz parte da nossa luta ser contra a mulher objeto que acredita que o corpo é mais importante que p cérebro. Porém faz parte de nossa ideologia não ter preconceito. Usar mini saia , roupas semi-nuas, segundo o autor ali de cima , é problema de quem quiser, mas nao tem nada a ver com feminismo!

PS: desconfio que seja o otário do colunista Maicon Tefen do RBS que escreve barbaridades sobre o feminismo e denigre nossa imagem perante a sociedade. A chamada esta la no site, mas quando a gente clica a pagina foi removida. Até fiz uma comunidade no orkut pra ele "eu odeio Maicon Tefen". (Nao por esse texto que nem sei se é dele, mas por outros, depois trago aqui pra gente analisar juntos) O leitor ignorante vai continuar sem entender nada do que prega nossa filosofia. Ai ai, paciência.

29 de jan. de 2010

As mal- humoradas que me perdoem (por Leila Ferreira)

Olá amigas leitoras. Trouxe esse texto aqui maravilhoso da jornalista Leila Ferreira. A-D-O-R-O ela!

As mal- humoradas que me perdoem...


Não adianta o corpo sarado nem o rosto sem rugas. Também não fazem efeito as roupas de grife. Em mulher mal-humorada, nada funciona: a única coisa que aparece é o mau humor. Mulheres de bico, de cara amarrada, ríspidas, amargas, azedas... alguém merece?!

Elas reclamam o tempo todo: adoram fazer papel de vítima, repetem 18 vezes por dia que estão exaustas (inclusive nas férias), põem defeito em tudo e em todos e amam fazer profecias negativas. Exemplo? Você chega ao escritório e conta, feliz da vida, que conheceu um cara interessantíssimo na noite anterior. A mal-humorada levanta as sobrancelhas, tomba o pescoço e diz: 'É, se eu fosse você não me animaria muito. Esses caras bebem, se entusiasmam, dizem que vão ligar, mas depois nem se lembram'. Pronto. Você, que já não é das mais seguras, sente seu castelo balançar. Não satisfeita, a colega vidente pergunta alguns dias depois se 'aquele cara' ligou. Quando você confessa que não, ela dá o único sorriso do dia e diz apenas: 'Não te falei...?'.
Além de conjugar o futuro sempre no imperfeito, as mal-humoradas adoram orações adversativas: 'O prato está bom, mas...', 'Fui promovida, mas...'. Há sempre um 'porém', um 'contudo' ou um 'todavia' no caminho dessas almas emburradas. Às vezes, expressos em silêncio. É aquela colega que chega, não dá 'bom dia', não abre a boca -e nem precisa: o rosto dela diz tudo. Se você perguntar se ela está com algum problema, a mal-humorada só responde: 'Nada, não...'. E aí a presença dela vai crescendo, porque não há nada tão contagiante, ou contagioso, quanto o mau humor. Ele intoxica quem está perto, contamina o ambiente.


Momentos de mau humor? Todas nós temos. Nada mais humano e mais digno de perdão. Mas há uma diferença enorme entre estar e ser mal-humorada. E não vale dizer que a vida anda difícil. A vida está difícil, sim, e não faltam razões para sentirmos tristeza, angústia, ansiedade. Mau humor, não: é um outro departamento. Tristeza e angústia, a gente processa internamente. Mau humor é quando você apresenta para o outro a fatura da sua infelicidade. Ele é obrigado a pagar a conta do que você consumiu (ou deixou de consumir) sozinha. Quem é que quer conviver com alguém assim?
Vi um outdoor em Tóquio que dizia: 'O sorriso é a melhor maquiagem'. Qualquer mulher fica mais bonita quando sorri. Não é preciso mostrar os dentes o tempo todo, dar uma de Poliana, como se a vida fosse pink -mesmo porque ela está mais para punk. Mas é por isso mesmo que a gente tem que ter senso de humor, sempre, em qualquer situação. Sem ele, fica impossível.

Ainda dá tempo: pegue de volta aquela sua lista de resoluções para o Ano Novo e inclua: 'Vou adotar uma postura bem-humorada diante da vida'. Ou então, melhor ainda: resolva já o que está causando seu mau humor. É o casamento, ou o namoro, que está respirando por aparelhos? Talvez seja hora de desligar todos os tubos. É a dieta, que está te deixando com fome? Melhor ganhar três quilos do que perder o humor. Se for o emprego, tente mudar. Se for a cidade, também. O que não dá é para puxar o freio de mão na infelicidade e depois apresentar a conta para os outros. Ah, e antes que você me pergunte, as sugestões também valem para os homens. Homem mal-humorado é castigo que nenhuma mulher merece. A não ser que ela também seja. Aí, é chumbo trocado. E os dois que se (des)entendam.




Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e autora do livro 'Mulheres - Por que Será que Elas...', da Editora Globo

26 de jan. de 2010

"As predadoras".



Depois de dar uma escapadinha no tema feminismo nos últimos dois posts, trouxe uma bomba polêmica! Achei esse vídeo de uma campanha publicitária da companhia aérea Air New Zealand, dirigida a mulheres maiores de 35 anos. Vejam la e depois leiam o que andaram dizendo e minha opinião.

A jornalista catarinense Trissia Sartore disse: "Está provocando a maior polêmica junto a grupos feministas da Nova Zelândia. Nela, uma mulher (bem caricata) ataca um jovem, que tenta se defender, mas é arrastado para um apartamento.



Em parte da narração, aparece a seguinte frase : morre de fome por falta de vegetação durante o dia (em alusão à dieta) e logo sai a caçar grandes pedaços de carne durante a noite.

Achei brega, mas não depreciativo. A publicidade retrata um tipo, estereotipado, que podia ser de qualquer sexo."

Trouxe do blog "Donna" da RBS. Concordo 100% com a opinião da jornalista. E olha que geralmente ver esse tipo de assunto por aí é sempre tratado de maneira machista ate por mulheres. Foi muito bacana o que a Trissia falou e eu ate deixei comentario la no blog dela. Também achei super brega, mas realmente é fato que tem gente que avança em cima (óbvio que no video é uma maneira caricata para ficar super característico. Mas quem nao se lembrou de alguma amiga assim? ou amigo? Sabe aquelas pessoas sem noção? Nossa, eu ja passei por isso.

 Uma vez o irmão da minha amiga (tinha uns 47) me viu no orkut e ela queria que eu o conhecesse de todo jeito, porque ele pediu. Detalhe: o cara tinha namorada. Ela ainda insistiu e é claro que arrumei uma desculpa. Não pelo fato dele ser mais velho, mas detesto homem atirado, galinha. De cara já não faz meu tipo. Nisso sou igual aquele carinha desse BBB 10 que dispensou a Anamara dizendo que ela era "atirada". sei que tem muita gente comentando por aí: "ai, o cara é gay". Ainda garanto que boa parcela que diz isso seja mulher. Elas são as mais machistas. Sinceramente,  acho que ambos os sexos têm que saber se valorizar. (Ter atitude é uma coisa, mas saber tecer o jogo da conquista e saber distinguir qdo ele ou ela está afim, mesmo que seja para ficar só por uma noite, é outra!)

Copiei 3 comentarios para discutir o assunto, os textos vermelhos são os que falaram os pretos, da blogueira que vos fala.


1 "Aqui no Brasil não é diferente. Vejam só as velharias como: Monique,Vera, Ana Maria, Suzana Vieira, Marília gabriela. Quando saem com seus garotões, parece que estão levando os netos à passear.
Beto de Novo hamburgo RS

Que absurdo, hein! Gente, a Helena da novela faz o papel de esposa sendo mais de 30 anos mais nova que o Meyer. Será que esse Beto falaria a mesma coisa? Ou será que o preconceito existe só com as mulheres?
Aqui fica meu recadinho pra Susana, Marilia e Monique: minha tia sempre disse que faz mais sentido o cara ser mais novo, pois depois dos 60 ela so precisa abrir as pernas e ele tem que fazer mais esforço. kkk brincadeiras a parte, sejam felizes e se estão com homens mais novos é porquê tão podendo!
Para Beto eu só desejo que ele se apaixone por uma mulher mais velha um dia. A vida dá muitas voltas...


2 "Na boa, hipocrisia demais destas feministas, se tu fores em festas do Brasil e do mundo inteiro, tu verás mulheres de 30 ou mais se envolvendo com caras mais novos. Os homens velhos elas querem pela "$egurança", os mais jovens pela "disposição". Lucas POA

Generalizando? sei, entendo que muita mulher acaba com nossa raça, queima toda a luta das feministas e realmente é uma verdade que muitas querem a $egurança e a disposição. Mas nem todas são assim, ta, Lucas? Eu namoro um cara 13 anos mais novo e ele tem bem mais disposição que $$$. kkk No entanto para mim basta! Ate pq com disposição em todos os sentidos, dá para lutar pelos seus objetivos, né? Tb quero deixar claro que disposição independe da idade muitas vezes.


3 "Bom, não me parece que elas tenham 30 ou 35, e sim parecem 45 no minimo. As pessoas que eu conheço na faixa dos 30 principalmente mulheres passariam por 20 e poucos fácil..Preconceito com idade nada ver, as pessoas são mais do que números. R. POA


BRAVOO!!! No coments!

E vocês? o que acham?

Pais ecológicos


Todo mundo sabe que sou feminista "doente". hehe Mas peço licença para vir falar de outra bandeira que levanto: a bandeira verde. Venho aqui trazer reflexões para quem vai ter um filho.  São dicas de sustentabilidade que podem durar desde os primeiros meses de vida até a vida toda. Acho que tem muitos pais por aí que ainda não acordaram pra realidade. O texto é da revista Vida Simples, que eu amo.

Texto Mariana Lacerda.

Berço verde

 
Em 1995 um dos maiores historiadores da atualidade publicou um tratado assustador sobre o século 20. Em seu livro Era dos Extremos, o britânico Eric Hobsbawm analisa toda a história dos últimos 100 anos. As guerras, os entraves raciais e religiosos, o crescimento das metrópoles e da economia mundial, tudo isso em detrimento da vida humana. “O velho século não acabou bem”, escreve. Pois logo no início do século seguinte o mundo passou a assistir a uma de suas maiores crises econômicas. O modelo capitalista, que em resumo diz que, quanto mais se acumular dinheiro, melhor, não funciona mais. A menina Isadora nasceu no dia 11 de fevereiro de 2009 no meio dessa confusão. E o que ela tem a ver com isso?
Tudo. Ela é a herdeirazinha deste mundo que construímos. E, apesar da pouca idade, é Isadora quem definitivamente abriu os olhos da mãe, que assina este texto, para desejar cuidar do que constitui o mundo dela: seu pai, suas bisavós e avós, primos, a sua casa, o seu bairro, a cidade em que vive. Foi assustada pela leitura de Hobsbawm e observando o mundo de Isadora que comecei a elaborar a pauta que deu origem a esta matéria. A troca de fraldas, apesar de ser um ato mais do que trivial na vida de uma mãe, também foi um fator imprescindível para pensar no assunto que vem a seguir.

Este é o Ted, o ursinho da prima Irene, que está passando férias na casa de Isadora

Lindas estas pantufinhas, não é? Presente de Pedro, o irmãozinho paulista

A cadeirinha veio do priminho carioca Chico. Grandão, Chico usou pouco o presente que ganhou do pai, Felipe

O macacãozinho também veio do primo Chico. Depois do dia em que foi feita esta foto, já não cabia mais em Isadora. Novo dono: Vicente, que acabou de nascer no Recife

Fralda é lixo Sim, fralda descartável é uma invenção bem prática, mas um horror para o planeta. Uma criança, em seus dois primeiros anos, utiliza em média 5,5 mil fraldas descartáveis – que custam à natureza cerca de cinco árvores. Uma fralda demora 450 anos nos lixões para se decompor. Para ter uma ideia, a cidade de São Paulo recolhe cerca de 13 mil toneladas de lixo todos os dias. Cerca de 230 toneladas são constituídas de fraldas descartáveis (2% do lixo é constituído de fralda descartável). Os números foram coletados pela engenheira química Bettina Lauterbach, do Rio Grande do Sul. Mãe de duas filhas, é uma das maiores ativistas do Brasil pelo retorno das fraldas de pano.

Graças ao trabalho de gente como Bettina, as fraldas de pano evoluíram. Elas se tornaram práticas, ajustáveis ao corpo do nenê. Bettina, que pesquisa tecnologias para a fabricação das fraldinhas e também as comercializa, conta que as maiores inimigas em seu negócio são as avós, que sempre tentam convencer as mães que entram em sua loja a sair dali imediatamente. Ela explica que aquelas que criaram bebês até meados da década de 1970 ainda têm na memória a pilha acumulada de panos no fim do dia. “Mas deve-se levar em consideração que as fraldas estão diferentes e o acesso às máquinas de lavar também melhorou”, diz.

Você pode até achar que também não é lá muito econômico para a natureza gastar água com a lavagem de panos. Mas hoje o problema do lixo nas metrópoles é muito mais alarmante do que a escassez de água. Tanto que países como Bélgica e Inglaterra incentivam – inclusive com dinheiro – os pais a optar pelo uso de fraldas de pano.

Faça um teste: pergunte a sua avó ou mãe se no tempo dela as crianças deixavam a de usar fraldas mais cedo do que aquelas de hoje, o que acontece por volta dos 3 anos de idade. É provável que, puxando pela memória, ela responda que sim. É que, naquela época, os pequenos se sentiam incomodados por estarem sempre molhados, coisa que não acontece com a fralda descartável, pois a tecnologia usada para absorver o xixi o deixa longe da pele do bebê até a troca. É verdade que não é fácil para pessoas como eu, que se acostumaram a usar fralda descartável na Isadora, se adaptar à de pano. Mas vale o teste. O trabalho cresce um pouquinho, sem dúvida, mas as vantagens ambientais são recompensadoras.
Consumo no berço Em seu livro Por uma Outra Globalização, Milton Santos, um dos mais importantes sociólogos brasileiros, conta como antes a economia se baseava na geração de bens que atendiam às necessidades de consumidores. “Atualmente, as empresas produzem o consumidor antes mesmo de produzir os produtos”, escreve.
Ou seja, somos bombardeados por ofertas de coisas de que não precisamos, mas tentam nos convencer de que nossa vida será melhor com elas. O mundo da maternidade é um exemplo disso. “Porque atinge o consumidor num momento em que, fragilizado pela chegada de um filho ou neto, tudo o que ele deseja é encontrar e oferecerlhe o melhor”, diz a advogada pernambucana Rebeca Duarte, que trabalha na organização não-governamental Observatório Negro e ministra palestras com mães de baixa renda a respeito da maternidade e do consumo.

As fraldinhas de pano substituem as descartáveis. Com estampas modernas, o xixi fica retido no refil de pano lavável

Arte feita pelos primos para a chegada da mais nova integrante

A antiga cômoda da mãe foi adaptada para servir de trocador para a filha

Este é o único móvel novo no quarto de Isadora. O motivo: os os berços da família estão ocupados

Nessa fase em que pais e mães estão suscetíveis, são ofertadas coisas não raro desnecessárias para o cuidado do bebê, a exemplo de carrinhos modernos. Enquanto uma faixa de pano envolvendo mãe e bebê (conhecidos como slings), como fazem os índios brasileiros, pode ser suficiente para sustentar com segurança o filhote no colo da mãe. Esse é, inclusive, o lugar onde o bebê pode sentir o mesmo calor e bater do coração de quando ainda estava na barriga, ganhando assim segurança para conhecer a vida que lhe espera. Motivo pelo qual, vale dizer, os autores do livro O Bebê – O Primeiro Ano da Vida do Seu Filho, uma espécie de bíblia sobre o desenvolvimento infantil, sejam categóricos em afirmar que as crianças mantidas no colo se desenvolvem com mais rapidez.

Rebeca Duarte, mãe de uma filha, se lembra ainda da doutrina das roupas azuis para meninos e rosa para as meninas: uma convenção puramente comercial. “Por que existe isso?”, pergunta. A despeito do rosa e do azul, nada mais simpático do que herdar roupinhas que foram usadas por primos e primas mais velhos: os macacões de Chico, o primo carioca, hoje são usados por Isadora e logo serão enviados para Vicente, o recifense recémchegado. Ou ainda as roupinhas de Irene, que, de São Paulo, foram enviadas para Olinda para que a prima Érica pudesse usufruir delas. E que meses depois voltaram para que então Isadora fosse brincar com Irene, hoje com 4 anos. Construindo-se no ato da troca, as relações de amizade e solidariedade, de estímulo à lembrança do outro e ainda o cuidado com as coisas usadas ao máximo antes do descarte. Às vezes, até passando gerações, levando consigo tantos significados, como é o caso do vestido que um dia Isadora usará em seu batizado e que vestiu a sua avó Sônia quando ela saiu nos braços da mãe dela (a bisa Anna) da maternidade.

Estar em rede Se no meio da correria que é cuidar de um nenê está difícil pensar nos aspectos que envolvem a sustentabilidade, tudo bem, nada mais do que compreensível. Mas uma dica importante: junte-se a quem, como você, está experimentando a maternidade – o que acaba acontecendo naturalmente. Isso significa estar em rede. Pode ser uma rede de amigas mães ou mesmo aquelas mantidas por organizações não-governamentais, como o Grupo de Apoio à Maternidade Ativa, em São Paulo, ou o Grupo Boa Hora, no Recife. Em comum, esses grupos existem para a discussão das experiências de parto. Mas seus participantes terminam por trocar experiências sobre o primeiro ano do bebê. Entram no rol de discussões uso de medicamentos, aleitamento materno, alimentação orgânica e também o troca-troca de roupinhas.

O dia a dia A escolha do que vestir, alimentação, opções ecológicas na hora da compra de brinquedo ou mesmo na organização das festinhas de aniversário. Tudo isso faz parte da tentativa de criar de forma mais sustentável um bebê. “Acho importante ser seletivo e procurar ‘influenciar’ nossos filhos com esse tipo de postura porque, além de fazer bem, existe uma filosofia por trás com a qual simpatizo. Mas que seja sem radicalismo”, diz a publicitária Ilka Porto, mãe de Antônio, amigo de Isadora.

É isso mesmo. Porque criar um bebê é construir o cotidiano. Que, por sua vez, “é uma história a meio caminho de nós mesmos. É o mundo que amamos profundamente, memória olfativa, memória dos lugares da infância, memória do corpo, dos gestos da infância, dos prazeres”, escreveu o filósofo francês Michel de Certau, em seu livro A Invenção do Cotidiano. Daí a importância de ajudar nossos filhos a construírem modos de vida saudáveis desde a mais tenra idade. Para que no futuro eles possam escolher a sua postura de vida face ao mundo.









19 de jan. de 2010

Um bate papo sobre Ivete, fama, mídia, cultura e afins.

Estou sem dormir. Até site da revista Quem eu já vi. E olha que acho uma perda de tempo, Caras e Quem. Foi sem querer, fui abrir meus e mails e vi uma proposta pra assinar. Parei e vi a capa. Então vim aqui falar sobre Ivete, fama e as reflexões que passam numa cabeça vitimada pela insônia. Sabe que despretensiosamente eu acho? Que eu e Ivete temos muita coisa em comum! A audácia de ter muita personalidade (sim, ser autêntica é uma faca de dois gumes. Ou da muito certo ou a sociedade te execra) . Ela fala o que pensa. A bicha é muito alto astral, esperta e marqueteira. Claro, atender o público cansada muitas vezes é mais um ato de markeing do que de amor. Tá certíssima! Se fosse eu fazia o mesmo. Primeiro porquê ela realmente ama cantar, segundo porquê é óbvio que ela é agradecida aos fãs. Só as vezes sinto pena das pessoas que não vivem a vida própria pra viver a de um artista. Fica ali chorando e perdendo um dia inteiro em uma fila pra chegar mais cedo em um show e depois outra fila depois do show pra entrar no camarim. Digo isso pq ja fiz uma vez. Valeu a pena. Senao eu nao conhecia esse universo. Todo conhecimento é válido. Quando vi aquela fila de gente pra Ivete atender, inclusive, deficientes mentais,físicos, idosos e etc, pensei: Jesus, tão confundindo a mulher com santa! Sinceramente passar uma vida fazendo isso? Quando a pessoa volta pra casa dos muitos shows, novamente a vida dela advinha o que é? A cantora. Blogs, twitter, sites, tudo na esperança de contatar a famosa e quem sabe, não seja um desejo inrustido de ser ela. Outra coisa que tenho em comum com ela é um amigo. Antes da fama dela. Hoje ex amigo, pois não tenho mais contato com ele. Agora ele é produtor dela. No dia que o reencontrei, depois de um show dela em Joinville, tomamos café juntos. Até comentei sobre essa questão prejudicial do fanatismo e que os artistas deveriam não incentivar. Ele concordou.

Afinal quem é esse fenômeno chamado Ivete? Morro de inveja dela. Mas é um sentimento estranho porquê não me depressia. Será que essa é a famosa inveja branca? Deve ser. Porque eu tenho uma admiração incrível por ela. Outra coisa que temos em comum é que ela namora um cara 14 anos mais novo. Muitas amigas apostaram que não dará certo no futuro. Eu não me preocupo com isso porquê pra mim o que importa é o presente. Assim como Ivete, eu me amo. Se o cara me deixar, problema dele, nasci com pré-disposição para ser feliz.Claro que sofreria. Mas tô pouco me lixando pra procurar uma cigana que me diga o que será do amanhã. Acho engraçado as pessoas. Um amigo meu gay também diz que não vai dar certo pelas "diferenças". Ora, quem é ele para falar de diferença? O velho preconceito, mesmo por quem não deveria ter preconceito é uó.

Ah, assim como Ivete,  eu também quero um filho do meu meninão. Só não saio em capa de revista dizendo que eu sou a mulher mais feliz do mundo porquê não sou famosa. Pena que dentre as semelhanças, há uma diferença gritante: eu não nasci para cantar. Quando eu era criança achava que não era tão dificil ser famosa. E jurava que um dia ainda seria. O encanto se desfez. Mas acho que muita gente morre esperando ficar famosa. A mídia nos ensina que ser famoso é tudo de bom, é tudo na vida. Hoje sei que isso não depende muito somente de talento mas de um fator parecido com o da loteria: sorte.

Já acreditei que ser famosa era sinônimo de realização. Mudei. Acho que a fama, além de sorte, é consequencia de suas atitudes e do que você realmente quer pra si.  Pela convivência que tenho com as pessoas, percebo que talvez seja uma busca pro ser humano. Qualquer um. É só vc olhar pro BBB e ver a quantidade de gente que quer ser famoso.

Houve também um tempo (ainda há?) que os artistas tinham raiva dos sisters. Diziam que eles não tinham feito nada para estar ali. Oras, eu me pergunto, tem muito ator bom que não cresceu na vida e não esta la, no lugar mais almejado pela humanidade: a fama. E eles, os artistas globais? Eles estão! Então pra que esse despeito? Isso é arrogante, pois não é so o ator que quer ser famoso. O advogado quer, o jornalista, a estilista, o arquiteto, o pedreiro.. e por aí vai... Não está em questão a inutilidade do BBB. Aliás, não entendo essa raiva toda do programa. Tenho raiva é quando aparece o senador com a cueca cheia de dólar. Mas de um programa que distrai e até promove uma auto- reflexão na gente quando nos identificamos com alguns comportamentos ali dentro, não me da ódio. Até creio que poderiam aproveitar para ajudar alguma entidade, tipo 1 milhão ser do ganhador e 500 mil da entidade previamente escolhida obrigatoriamente pelo participante. Assim, na minha opinião seria bem menos inútil. A "grôbo" pode. É só querer. Mais uma vez falo da tal cultura que tanto menciono nesse blog. Dessa vez abri uma exceção e não é da cultura machista que estou falando. É da cultura do mundo. Da competição, do poder.  E tem famoso que se deslumbra, viu? A propria Ivete as vezes comete umas gafes. Uma vez uma amiga disse que no camarim ela falou pra uma fã que "aparentemente" era humilde, bem assim: "vc ta linda, olha aqui gente, quem disse que pra se vestir bem precisa de grana?". Essa foi uma pra coleção de gafes. Claro, que não é dificil pensar isso em um país pobre. Mas óbvio que rolou o que? aquela velha palavrinha para definir o que meu amigo gay também teve comigo. Como ela sabia se a menina era ou não pobre? Uma hora dessas que eu não quero ser famosa, porque tem que medir tudo que se fala.

 Outra coisa que me da raiva, ta longe de ser o BBB. É o artista ir fazer campanha para as pessoa não comprarem cd's piratas. Ate q parou essa palhaçada, por causa da facilidade de baixar musica na internet. Algumas daquelas pessoas que estavam na fila para ser "abençoadas" pela santa Ivete, vive com um salário mínimo por mês. Enquanto isso, Ivete anda de jatinho pra cima e pra baixo e adora comprar roupas em NY. Aí o artista vem pedir para ninguém comprar CD pirata? Depois de cobrar carissimo no show e em royalties em produtos e o caramba a 4. Brincadeira, né! Comparo as vezes à igreja Universal de Deus. Eles tiram dinheiro da inocência do povo. Longe de eu estar aqui falando mal de Ivete, só dei um exemplo. Até porquê eu ja soube que a própria é super a favor da queda do preço do cd para acabar com a pirataria.

Óbvio qeu eu tenho noção que uma empresa como a de Ivete para sustentar seus altos custos precisa ganhar muito. Eu amo Ivete, mesmo tendo consciência que ela não é santa e nem perfeita. E mesmo sabendo que não adianta eu ir nos shows dela me descabelar para chegar ate ela da forma que eu queria. Como eu queria? Queria ser daquelas que troca babados e sai pra almoçar com ela. Mas infelizemnte, apesar das nossas semelhanças, a nossa distância é muito grande. Nem do meio artistico sou. Mas pra ficar ali pedindo esmola em forma de atenção, todo santo show, e fazer da minha vida a vida dela, não dá.

 Pode ate ser que um dia eu seja famosa, vai saber? Mas sinceramente, daria minha vez para quem quer tanto isso.  Prefiro ser feliz sendo o máximo pros meus filhos, admirada pela minha família e a mulher mais incrível do mundo pro meu namorado. E uma puta profissional. A fama pode ser linda. Mas a busca dela pode ser prejudicial a saúde. Uma coisa é certa: Quando ela vai acontecer não avisa, chega. Para que o desespero então?